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DOSSIÊ DE INCLUSÃO

Page history last edited by Daniela Rizzi 2 years, 10 months ago

 

DOSSIÊ DE INCLUSÃO:

 

 

 

                                

 

                                         

     O dossiê de inclusão visa contribuir para a busca de sentido na produção de conhecimentos no transcorrer de nossos estudos. Este documento busca a completude de suas descobertas em que o respeito às singularidades será respeitado na medida em que cada aluno(a) será encorajado à reflexão e a sistematização de suas experiências num formato original capaz de apontar para as conquistas individuais.

 

 

 

 

UNIDADE 1: Relato de uma experiência com pessoa portadora de Educação Especial.

 

    

     Particularmente ainda não trabalhei diretamente com uma criança com necessidades especiais, mas posso relatar a experiência que acompanho em minha escola de uma criança, com paralisia, ela necessita de cadeiras de rodas, nossa escola não é adaptada, nem as salas de aulas, este aluno ingressou no jardim, uma sala diferenciada,  com um espaço um pouco maior que as demais, mas não há rampas na escola, nem  banheiros para portadores de deficiências, não há barras de apoio, este aluno usa o banheiro sozinho, mas arrasta-se pelo chão para isso, é bastante penoso para ele e para quem assiste. A professora empurra a cadeira pela escola em um pátio bastante irregular, também o aluno não tem acesso ao segundo andar da escola onde fica o salão, local em que realizamos atividades em dias de chuvas e algumas festividades. A família do aluno pouco aparece na escola, muitas vezes liga para a direção desta para saber se algum funcionário pode buscar o aluno que reside próximo à escola,  para que ele não falte tanto às aulas, este aluno tem um número elevado de faltas, a justificativa é que a família não tem quem o traga para a escola. A maioria das vezes a escola atende a solicitação e manda um funcionário buscar o  aluno, visando o bem da criança. O aluno não recebe nenhum atendimento específico fora da escola.

 

 

 

 

 

 

 

 

UNIDADE 2: Políticas Públicas Brasileiras em Educação Especial e o Projeto Político - Pedagógico da Educação Inclusiva:

 

 

     Minha escola é  estadual, situada na zona norte de Porto Alegre, atende alunos do jardim até a sexta série,  dos quase quinhentos alunos que atendemos,  está  matriculado e frequentando  apenas um aluno com necessidades especiais, portador de  deficiência física, este possui 8 anos e está no segundo ano, existem outras suspeitas de necessidades especiais, mas não diagnosticada, portanto confirmado apenas um caso. A escola ainda não sofreu modificações para atender da melhor maneira este aluno como cita a lei na Resolução CNE/CEB Nº2, de 11 de fevereiro de 2001, Art. 2º que:

      

“Os sistemas de ensino devem matricular todos os alunos, cabendo às escolas organizar-se para o atendimento aos educandos com necessidades educacionais especiais, assegurando as condições necessárias para uma educação de qualidade para todos.”

 

     Também por pouca participação da família a escola ainda não conseguiu fazer encaminhamentos dos alunos com suspeita de necessidades especiais, nem mesmo efetivar encaminhamentos deste aluno cadeirante.

     Nossa escola possui a sala de recursos onde à professora é formada em pedagogia especial e atende este menino e alunos das escolas da redondeza. Percebo aqui a distancia entre o que está escrito em uma lei, e a realidade da escola.

        

 

Estudo de caso: 

 

 

Aluno: Vander

Idade: 10 anos

Data de nascimento: 12/02/1998

 

A mãe de Vander planejou e desejou sua gravidez, que foi tranqüila.

O parto de Vander foi  induzido, houve atraso no tempo de nascimento e asfixia ao nascer, o bebê ficou vinte e um dias internados na UTI neonatal até receber alta, nas primeiras vinte e quatro horas de vida sofreu três convulsões. Para acompanhar as possíveis seqüelas foi submetido a exames como tomografia, eletroencefalograma, ressonância magnética cerebral, exames radiológicos entre outros. Desde o nascimento foi  acompanhado por um neurologista,  e os resultados dos exames de Vander apontaram alterações como: sofrimento encefálico neonatal,  anóxia,(ausência de oxigênio), discreta lentificação das funções cerebrais, epilepsia, moléstia desmielinizante, cisterna inter hemisférica frontal aumentada, sulcos coronais cerebrais alterados, redução volumétrica encefálica, defict cognitivo, e atelectasia do pulmão esquerdo.

Para acompanhar seu desenvolvimento tem consultas rotineiras com um neurologista, toma medicações como Gardenal, Carbomarzepina e Ritalina.

Ingressou na Educação Infantil, com cinco anos, não conseguiu se adaptar.

Ingressou na A20, segundo ano, em 2005, novamente não se adaptou sendo necessário fazer um horário inicialmente reduzido, a escola encaminhou o aluno para o CADEP (Centro de Avaliação, Diagnóstico e Estimulação Precoce) após avaliação foi sugerido procurar com urgência  avaliação psiquiátrica e psicológica.  

       A escola fez encaminhamento para SIR( Sala de Integração e Recursos)  e LA (Laboratório de Aprendizagem), a mãe disse que o aluno faz atendimentos no Centro Vida com psicopedagoga, esta coloca que Vander necessita de trabalho diferenciado para desenvolver suas potencialidades, disse que necessita de trabalho voltado para pré-escola (corpo, espaço, tempo, regras, etc...) seu desenvolvimento cognitivo  está compatível com quatro a cinco anos.

Mãe diz  que ele faz judô para controlar sua irritabilidade, a escola pede para a mãe que converse com o neurologista a respeito da irritabilidade do menino, o retorno é que esta irritabilidade é seqüela das convulsões que teve quando bebê. A mãe do menino providencia os acompanhamentos com psicóloga, psiquiatra e fonoaudióloga.

       Na escola Vander apresenta grandes dificuldades em acompanhar o trabalho da turma, também não consegue:

 

·        se expressar com clareza;

·        reconhecer e sonorizar as letras do alfabeto;

·      reconhecer e escrever seu nome;

·      organizar seus materiais escolares;

·        organizar-se no espaço gráficos;

·        reconhecer e quantificar numerais;

·        compreender solicitações, regras;

·        reter informações;

·        participar das atividades propostas.

 

 

           É agressivo com colegas, não se controla, tem grandes dificuldades de relacionamento, perde o controle e necessita muitas vezes ser contido, utiliza palavrões. Não consegue permanecer no lugar durante muito tempo.  Apresentou dificuldades motoras (ampla e fina).   

       Durante o ano letivo freqüentou a SIR, recebeu atendimento diferenciado com a professora volante e a estagiaria de integração, além de frequentar os atendimentos médicos. A escola não recebeu retorno dos atendimentos do aluno na SIR, a professora responsável diz que fará no próximo ano letivo. O aluno foi mantido em uma A20, pois não conseguiu atingir o mínimo desejado para o ano ciclo.

Percebeu-se uma performance melhor oralmente do que escrita, mas com muita dificuldade mesmo quando atendido individualmente, não  foca o olhar no interlocutor quando fala ou conversa com ele, está pré-silábico na lecto-escrita.

Em 2006, Vander recomeça a A20, apresenta agressividade no inicio e final da manhã. Está tentando se relacionar com o grupo de colegas, apresenta muita dificuldade na área cognitiva, porém já faz algumas relações, começa a dar forma a seus desenhos, demonstra gosto por jogos, (memória, encaixe, etc...) e gosta de participar de competições, desde que ele seja o vencedor.

Recebemos o retorna da SIR que diz: o aluno não grafa seu nome nem com auxilio do cartão modelo,  desenha diferentes objetos com a mesma representação, espelha letras e números, consegue ter controle maior que no inicio do atendimento sobre o seu corpo, apresenta muitas trocas na fala.

A mãe procura a escola e diz que o menino anda cansado, pois recebe muitos atendimentos: psicopedagoga, SIR, psicóloga, fonoaudióloga duas vezes mensais, judô duas vezes semanais. A escola expõe a importância dos atendimentos e sugere que a mãe tente centralizá-los em local e horários mais próprios. Sugere o Centro Vida por ser próximo a escola.

Vander finda o ano reconhecendo o alfabeto e numerais até vinte oralmente, mas ainda não domina a parte gráfica. Encontra-se no nível da lecto-escrita - I2 (intermediário 2) colocando letras iniciais nas palavras.  Recebeu atendimento com a SIR, professora volante, estagiaria de integração e continuou atendimentos especializados menos fonoaudiologia por ser muito longe de  sua casa, foi orientada para continuar esse atendimento e lhe foi apontado um especialista, mas neste caso a família deveria pagar certo valor que não teria condições.  O aluno continua desorganizado e desatento, provoca situações de conflito com colegas, ainda não realiza leitura compreensiva nem resolve operações de adição e subtração.

 Vander não pode permanecer  na A20 novamente, e no próximo ano frequentará A30.

Em 2007, ingressa na A30, continua com dificuldades na organização espacial, apresentou melhora no relacionamento com colegas, porém as dificuldades persistem, espelha letras e números, se dispersa com facilidade, não consegue acompanhar os conceitos trabalhados na turma. Realiza as tarefas dentro de suas potencialidades, com dificuldades motoras e de retenção de informações. Recebeu atendimentos na SIR, com professora volante e continuou o acompanhamento com neurologista. Termina o ano letivo necessitando de muito estimulo, a família é orientada a estimulá-lo também em casa, principalmente na motricidade. É mantido em uma A30.

No ano de 2008, retorna a uma A30, agora já escreve seu nome com auxilio do cartão modelo, seus desenhos são representados com diversas formas, em alguns momentos escreve de fora silábica, depois de muitas intervenções dos professores consegue se controlar quanto à agressividade com colegas, agora ele emburra-se ao ser contrariado. Ainda necessita do trabalho de alfabetização.

Reconhece numeral de zero até trinta, efetua operações de adição e subtração com materiais concretos, auxiliado pelo professor.

 

Foi atendido pelo Laboratório de Psicomotricidade da escola, demonstrou considerável dificuldade motora, dificuldade de relacionamento, e cumprimento de regras. Ao longo do trabalho apresentou hipertonia (tensão muscular).

No relatório da SIR, um fato chama a atenção, aparece a preocupação da professora frente a postura desanimada da mãe que agora parece não acreditar mais nas potencialidades do filho, deseja apenas que ele aprenda a ler e escrever e questiona a permanência do menino no ensino regular. A SIR pede para que a escola mostre para essa mãe o quanto seu filho já cresceu, o desanimo da mãe pode estar ligado ao fato de que ela está trabalhando e agora não consegue mais acompanhar e levar o filho a todos os atendimentos. A SIR também aponta para a necessidade de chamá-la para salientar não apenas dificuldades e defeitos, e sim qualidades e avanços do filho.

Em 2009, frequenta a turma AT, uma turma mais tranqüila, com menor número de alunos, turma de transição, onde se visa dar conta da alfabetização dos alunos. Vander já escreve seu nome sem o cartão modelo, inicia uma escrita silábica-alfabética na palavra e silábica na frase com auxilio da professora.

 

 

             

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Comments (2)

Janaína Siviero Ribeiro said

at 11:15 pm on Jun 21, 2009

Olá, Daniela!

Finalmente, consegui fazer comentários no teu dossiê (antes eu não conseguia acesso, apenas podia ler).

Tu ten várias informações do aluno, sugiro que faça um paragráfo inicial explicando o motivo pelo qual escolheste trabalhar com esse aluno e não outro. Além disso, deves citar o local onde fica a escola (município) que tipo de escola é essa (municipal, estaudal, particular...) . Podes explicar mehlor o que é A20, para que o leitor compreenda o que é.

Fico aguardando o complemento da unidade 6 (envolvimento da família e da escola com o aluno - possíveis modificações que a escola realizou para a adapatação do aluno, etc.)

Assim que fizeres essas modificações me avisa por e-mail, ok?!

Abraço,

Janaína

Janaína Siviero Ribeiro said

at 11:34 pm on Jul 8, 2009

Olá, Daniela!

Assim que postares a tua conclusão do estudo de caso envia e-mail me avisando, ok?!

Abraço,

Janaína

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